A luta contra a balança é um jogo sem fim. E, para não ficar voltando casinhas, é preciso ir além da dieta. A ciência prova que incluir exercícios na rotina é a melhor alternativa para emagrecer sem ter que se preocupar com o efeito sanfona.
Comer de tudo
e, mesmo assim, conservar um peso bacana. Parece um sonho distante? Então você
vai gostar de saber que qualquer um pode atingi-lo. Basta colocar o corpo
para se mexer. A prova vem de um estudo da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS), que usou voluntários para testar duas abordagens
reconhecidas contra a obesidade: dieta e exercícios. De um lado, 18 pessoas
tornaram o cardápio mais leve. Do outro, 17 aliaram a medida a treinos na
bicicleta ergométrica de 30 a 45 minutos, três vezes por semana.
Os
pesquisadores concluíram que ambas as turmas enxugaram 5% do peso no mesmo
período de tempo, o que indica que controlar a alimentação parece ser mesmo
eficaz para emagrecer. No entanto, o grupo ativo levou a melhor na comparação
dos benefícios, já que, além da perda de peso, apresentou melhores taxas de
grelina, o hormônio da fome. "Baixos níveis da substância estão ligados a
uma maior saciedade", explica o endocrinologista Rogério Friedman, autor
do trabalho.
O achado
tem a ver com uma linha de pesquisa quentíssima nos Estados Unidos, que
envolve o chamado balanço energético. "Em resumo, propomos que não dá para
ser magro e faminto ao mesmo tempo", brinca Steven Blair, profissional em
educação física da Universidade do Sul da Carolina. Após investigar
ingestão e queima de calorias de diferentes populações ao longo das
décadas, ele e outros colegas começaram a ver que, em geral, as
pessoas que se mantêm em forma não possuem o hábito de colocar porções
diminutas no prato.
Na verdade, quem garante uma cintura fina por anos a fio até come mais, porém
gasta energia aos montes. "O ser humano tem um forte ímpeto natural
por alimentos", diz Gregory Hand, educador físico que trabalha ao lado de
Blair. "Para não remar contra a maré, necessitamos ter uma dieta só um
pouco restritiva e investir bastante nas atividades físicas",
emenda.
Se você ainda
não está convencido a levantar desse sofá, selecionamos três explicações
científicas que mostram que quem mexe o corpo está destinado a manter a boa
forma por muito tempo. Veja:
1- O desequilíbrio corporal consome energia
A prática de qualquer esporte mexe com o organismo inteiro – o coração bate
mais rápido, os músculos sofrem microlesões, os pulmões trabalham em
dobro..."Para reequilibrar seu funcionamento, o corpo despende mais fontes
de energia", ensina Jair Rodrigues Garcia Júnior, professor de bioquímica
do exercício da Universidade do Oeste Paulista, em Presidente Prudente. Com
isso, o abdômen se conversa firme e sem excessos.
2- Quem se exercita emagrece mesmo quando está parado
O levantamento da UFRGS também avaliou a taxa metabólica basal, ou seja, a
quantidade de calorias que torramos quando não estamos realizando um esporte.
Friedman explica que ela era mais elevada no grupo que, além de adotar a dieta,
pedalou com frequência. Inclusive aqueles felizardos que nunca ficam com a
barriga avantajada tendem naturalmente a queimar bastante energia em repouso.
3- Músculos desenvolvidos gastam calorias
A atividade física aumenta a massa muscular, que, por sua vez, também contribui
para o emagrecimento. "Músculos desenvolvidos consomem calorias
extras", afirma Cláudio Pavanelli, fisiologista do Clube de Regatas do
Flamengo e da BEone. Até por isso os especialistas também prescrevem musculação
para quem deseja permanecer esguio.
Comece já, mas vá com calma
O verão está
aí, por isso, você não pode perder tempo. Mas antes de calçar os tênis e sair
correndo, é importante definir seus objetivos. O Colégio Americano de Medicina
do Esporte recomenda um mínimo de 150 minutos de atividade física moderada por
semana, de modo a aprimorar a saúde como um todo. Mas se a meta é perder peso,
a endocrinologista Rosana Radomminski, da Universidade Federal do Paraná,
recomenda subir o mínimo estipulado para 250 minutos.
Contudo,
principalmente entre os sedentários, cumprir tal meta logo de cara pode ser
perigoso em algumas situações. O melhor mesmo é ir com calma. "O paciente
pode, por exemplo, começar com 75 minutos por semana e evoluir
lentamente", orienta Rosana. Vale lembrar que a avaliação individual feita
por um especialista é essencial para garantir vitória na luta contra a balança.
(Fonte: Revista SAÚDE)